De vez em quando bate aquela agonia, uma sensação de tempo perdido, uma aflição, um desperdício de emoções. Então volto no tempo...
Morava numa casinha de madeira, havia um grande jardim, um pomar, uma piscina inflável, daquelas que viviam furadas. Mas era uma alegria quando minha mãe enchia e ali eu passava o dia.
Costumava me sentar à sombra de um pé de limão. Me deitava no chão e ficava naquela posição. Contemplava as nuvens e o tempo passava.
Pequenina como era, adorava brincar. Certo dia, com a inocência peculiar da idade, surpreendi-me olhando pra cima, fascinada com uma rabiola a chegar no meu jardim. Que alegria! Um simples presente fazendo parte do meu dia...
Eu era apenas uma criança, nos seus quatro anos de idade, cheia de esperança. Vendo aquela rabiola me joguei num gesto inesperado, ela entrava no meu mundo encantado.
Olhando pra cima, aquela rabiola ia embora, se afastava sem demora.
Longe de mim, senti um vazio, uma vontade de chorar, sair dali e voar. Nos sonhos de uma criança, que só deseja amor e esperança.
Quando me desperto dessa ilusão, olho o céu azulado, repleto de nuvens rosadas e contemplo a imensidão. Percebo que o tempo passa, as emoções se acalmam e a beleza da vida fica mais aparente.
Sentada num banco, ouvindo o som dos pássaros percebo uma paisagem quase transparente. Tudo está imóvel, apenas o tempo que se passa lentamente.
Aquela rabiola por muito tempo ficou em minha memória.
Sem aparente significado, fez parte daquele dia, em que o tempo me dizia, que a vida seria o meu predicado.

Adorei o texto.
ResponderExcluirVc é ótima!
Vou acompanhar agora seus textos!
Um beijão!
Eduardo
Muito obrigada Edu!
ResponderExcluirbjs, Aline
É um lindo texto,é uma linda história...que nos toca lá no fundo do coração!!!
ResponderExcluirBjs KK
Amei seu comentário minha lindinha. Beijos da dinda.
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